Origami
(Arte da Dobradura de Papel) - O origami (dobradura de papel) surgiu na China há 1.800 anos.
Foi levado ao Japão entre os séculos VI e X, juntamente com
o papel, por monges budistas chineses. No inicio era acessível
apenas à nobreza, sendo usado em diversas cerimônias. Por muitos
anos, a tradição e as formas criadas a partir de uma folha quadrada
de papel foram passadas apenas de geração para geração.
Os primeiros esquemas escritos só surgiram em 1797, com a publicação
do Senbazuru Orikata (“Como Dobrar Mil Garças”). A arte começa
a se popularizar efetivamente quando o Japão passa a fabricar
papel e ganha grande impulso, em 1876, ao passar a fazer parte
do currículo escolar. A prática do origami promove o desenvolvimento
intelectual da criança, desenvolve a capacidade criativa e a
psicomotricidade.
A palavra 'origami' teria surgido em 1880 a partir dos termos
'ori' (dobrar) e 'kami' (papel). Antes, era conhecida como orikata.
No Japão, era comum fazer origamis de diversas formas, que eram
queimados em rituais fúnebres para que o espírito da pessoa
falecida pudesse ter na outra vida tudo o que almejava. Dobraduras
imitando cédula de dinheiro e postas em envelopes vermelhos
eram queimadas nas festas de casamento, com o objetivo de desejar
prosperidade ao casal. Ainda hoje, as figuras feitas em origami
são carregadas de simbolismos: o sapo representa o amor e a
fertilidade; a tartaruga, a longevidade; e o tsuru, a mais famosa
figura de origami, é o desejo de boa sorte, felicidade e saúde.
Diz uma lenda que quem fizer mil tsurus, com a mente fixa naquilo
que deseja alcançar, terá sucesso.
Bonsai
Bonsai
(Árvores Anãs)- A palavra bonsai significa
"árvore em pote ou bandeja" e tem origem nos termos
chineses pun-sai ou pent-sai. Essa arte de miniaturizar plantas
surgiu na China e deriva de uma outra, o penjing, que criava
paisagens em miniatura, com rochas, musgos, árvores, etc. As
primeiras referências sobre o penjing datam do século II a.C.
O bonsai foi introduzido no Japão pelos monges budistas e durante
centenas de anos manteve-se restrito aos nobres e à alta sociedade.
Essa arte foi apresentada pela primeira vez no Ocidente em 1878,
na Feira Mundial, em Paris. Porém, começou a se difundir na
Europa e Estados Unidos após a Segunda Guerra Mundial.
Qualquer planta, mesmo frutífera, que tenha um tronco robusto,
pode se tornar um bonsai. O mais importante é que sejam mantidas
todas as suas características como são encontradas na natureza
e consigam expressar, em alguns centímetros, a beleza e o volume
de seu porte original, em perfeita harmonia com o recipiente
onde está plantado.
O tamanho de um bonsai varia muito – pode medir de 15cm (os
minis) a 60cm (os grandes). A forma também é bastante diversificada:
tronco grosso e reto, retorcido ou inclinado.
São cinco os estilos da arte:
Bankan:tem galhos
tortuosos e fora de proporção, propositadamente Chokukan:é o mais clássico, com tronco reto
de onde partem os galhos Kengai e Han-kengai: os galhos são moldados
para ficar em posição horizontal Shakan: tem os galhos um pouco inclinados
em relação ao tronco Ikebana:(Arte do Arranjo Floral)
Ikebana
O termo ikebana passou a ser usado a partir do século XVII.
Na época em que surgiu, esta arte do arranjo floral chamava-se
tatehana. Só a partir do século XVI, o ikebana tomou forma definida
e passou a se chamar rikka, hoje um dos seus estilos.
Com a difusão do Chadô (Cerimônia do Chá), também no século
XVI, foi criado um estilo de arranjo – o hana – próprio para
os ambientes em que era realizada a cerimônia.
A partir do século XVIII os estilos ganham nomes específicos:
moribana, nageire, shoka, jiyuka (estilo livre), guendai-bana
(arranjo moderno) e zen-eibana (arranjo de vanguarda), entre
outros. Quanto aos termos para designar arranjo floral, as denominações
mais comuns são ikebana, kadô e sôka.
A importância e admiração que o povo japonês dedica à natureza
foram um dos fatores para o desenvolvimento do ikebana. Desde
a antiguidade, eles acreditavam que para invocar os deuses era
necessário ter um local especial para recebê-los, que era indicado
por uma flor ou árvore colocada, preferencialmente, de forma
perpendicular à sua base. Segundo a crença, os deuses se guiavam
por esses símbolos e ali se instalavam.
O ikebana guarda, em sua essência, essa crença. O rikka do período
Muromachi (1350-1573) originou-se do costume de colocar as flores
perpendicularmente à sua base. Muitos estudiosos acreditam que
a própria origem do ikebana está ligada ao kuge, o ato de colocar
flores no altar de Buda. No entanto, sabe-se que antes do budismo
ser introduzido no Japão já havia o costume de se oferecer flores
aos deuses.
Com o tempo, o kuge começou a ser chamado de tatehana, pois
o arranjo deixou de ter apenas cunho religioso, ganhou senso
estético e passou a ser apreciado pela população em geral. O
evento que marcou essa passagem foi a presença de arranjos de
ikebana no Festival das Estrelas (Tanabata Matsuri).
O ikebana apresenta o amor pela linha e a apreciação pela forma
e pela cor. Em sua tradução mais simples, um arranjo representa
o céu, a terra e o homem, e a seguir o tempo e a estação em
que se encontra.
Utiliza-se os mais variados materiais
oferecidos pela natureza, que possuem a seguinte simbologia: • passado:flores desabrochadas, vagens ou
folhas secas • presente:folhas perfeitas ou flores semidesabrochadas • futuro:botões, que sugerem o crescimento
futuro
Já as estações são representadas da seguinte maneira: • primavera: arranjo vital com curvas vigorosas • verão:arranjo em expansão e completo • outono: arranjo esparso e delgado • inverno: arranjo dormente e algo melancólico
Shodô
Shodo (Arte
Caligráfica) - Shodo é
a arte caligráfica japonesa, escrita com sumi (tinta preta)
e um pincel, surgida há mais de 3 mil anos. “Sho” significa
caligrafia e “do”, caminho. O calígrafo consegue expressar nos
traços um sentimento muito particular. Por isso, como uma obra
de arte, cada shodo é diferente e único, mesmo que seja escrito
o mesmo kanji (ideograma). A tonalidade da tinta, a pressão
do pincel sobre o papel, a velocidade da escrita e os espaços
entre cada pincelada variam de calígrafo para calígrafo.
A arte do shodo necessita apenas de um pincel apropriado (feito
com cerdas de crina de cavalo ou pêlos de carneiro, coelho e
rena), tinta e papel artesanal (washi), feito com palha de arroz
ou fibra de bambu ou de banana. O washi possui textura apropriada
para produzir borrões, que resultam em efeitos bastante apreciados.
O shodo não é um exercício de “boa caligrafia”, mas a combinação
da habilidade, estilo e imaginação do calígrafo e que exige
anos de estudo e prática.
A qualidade da obra é avaliada, entre outras, pelo equilíbrio
natural dos caracteres, sua composição como um todo, a variação
entre os traços grosso e fino, a quantidade de tinta no papel
e o ritmo com que foi escrito.
O shodo chegou ao Japão através do budismo, pois as escrituras
compiladas pelos monges eram em caracteres chineses. Hoje, a
arte é praticada por milhões de pessoas em todo o mundo. As
escolas japonesas mantêm o shodo no currículo escolar, e os
concursos promovidos anualmente incentivam ainda mais a prática
da escrita.
Existem seis estilos diferentes na caligrafia japonesa: kaisho,
no qual os kanjis têm formas quadradas e traços mais estáticos;
gyosho e sosho, com formas cursivas e traços mais seqüenciais;
tensho e reisho, que são as formas mais primitivas de escrita,
usados no hanko (espécie de carimbo-assinatura batido em tinta
vermelha) e encomendados aos artistas de shodo.