ANIME E CONCURSO DE COSPLAY

Judô

Assim como os americanos, o sucesso também fez os japoneses trilharem o caminho dos quadrinhos para as telas. As animações produzidas a partir dos anos 60 conquistaram o mundo na década de 90. As histórias mantêm viva a tradição, abordam problemas de relacionamento e exploram o sobrenatural.

Com o sofisticado "A viagem de Chihiro", os animes fizeram até Hollywood se curvar. O filme ganhou o Oscar de animação em 2003, batendo concorrentes americanos.

Às vezes, o anime ganha carne e osso. A estudante Lola Louro é praticante de cosplay, uma brincadeira em que ganha quem fica mais parecido com os ídolos dos quadrinhos e desenhos animados. Em feiras como o Mercado Mundo Mix, a turma libera a criatividade.

E pra quem acha tudo isso meio esquisito, Lola esclarece. "Tem gente que pensa, ‘ai meu Deus do céu, eles são loucos, se vestem assim durante o dia’. Não, isso não existe. A gente faz isso pra se divertir, é um hobby com qualquer outro, só que a gente é o nosso próprio herói durante um dia", afirma.

MANGÁ


Uma mina de ouro brota do papel jornal e projeta para o mundo a face pop da potência tecnológica. Pelos traços do desenho, o Japão dos bits e bytes se impõe também como exportador de cultura.
"O mangá está aí com força total hoje dominando boa parte do mercado, deixando até heróis tradicionais americanos pra trás. É um fenômeno mundial", diz o editor de mangás Marcelo Greco .

O tempero das histórias é o caráter humano dos personagens. Nesse mundo de fantasia, os heróis envelhecem e sofrem como qualquer mortal.

"Os personagens são bem humanos e passam coisas que a gente passa no nosso cotidiano. Por isso, a gente se identifica bastante com eles”, explica a professora de mangá Açunciara Azima.
Essa química, que vende mais de um bilhão de revistas por ano no Japão, criou um exército de fãs no Brasil. Oito anos depois de produzir os primeiros mangás, as editoras daqui despejam, em média, 200 mil exemplares nas bancas todo mês.

Lendo os quadrinhos, o colecionador de mangás Jefferson Kayo aprendeu o idioma do pai. Hoje, mantém uma coleção de 500 títulos. "Os valores são bastante realçados nos mangás. A honra, a dignidade, a amizade, que atraem o japonês e também quem não é japonês", afirma Kayo.

A HISTÓRIA DOS MANGÁS


A palavra mangá foi usada pela primeira vez em 1814 pelo artista Katsushita Hokusai para batizar uma coleção de gravuras. A forma atual surgiu depois da Segunda Guerra, pelas mãos de Osamu Tezuka, o maior quadrinista japonês. Aos poucos, os personagens, que eram parecidos com os dos comics americanos, ganharam estilo próprio.

Como em qualquer publicação japonesa, é de trás para frente que se lê um mangá. As páginas são viradas da esquerda para a direita. A fórmula é bem definida: capa e algumas páginas coloridas. O resto, em preto e branco.

Uma linguagem cinematográfica, em que parte da história é contada apenas com imagens, e as linhas dão sensação de velocidade. Os personagens têm características marcantes: são magros, têm pernas alongadas, cabelos pontudos e, o mais importante, olhos grandes, que expressam sentimentos.

"Eles desenham olho grande porque o olho para o oriental é a janela da alma. Então, você olha pra dentro da alma do personagem", fala a pesquisadora de anime Careime Assmann.

Sem cerimônia, muitos aparecem sem roupa. Mangás eróticos são apenas uma categoria do mercado, que tem publicações específicas para meninas e meninos.

Fã de histórias de aventura, o designer gráfico Thiago Spykid quer virar profissional. Ele é um dos 500 alunos que passaram por essa escola de desenho de mangá, em São Paulo. Enquanto não consegue uma editora, imprime e vende em eventos as revistas que produz. "Acredito que é uma coisa em expansão. O principal é fazer, produzir, praticar muito, ter um trabalho bom, consistente, sólido", diz o designer.

J-pop


Com a popularização da internet, o J-pop foi disseminado para o resto do mundo, inclusive no Brasil, onde acabou se tornando um dos mercados mais importantes do gênero. Fonte: Revista Made in Japan - 29.06.2008

Ricardo Cruz

Ricardo Cruz, 26 anos, vocalista e único integrante estrangeiro
do grupo japonês de animesongs Jam Project

O mercado fonográfico japonês é um laboratório de experimentações. É uma mistura que se inspira na cultura tradicional ao mesmo tempo que se espelha em influências norteamericanas, para criar um estilo próprio.

Depoimento
“Sempre gostei das músicas dos seriados tipo Jaspion e Changeman que passavam na TV nos anos 80. Mas foi quando viajei ao Japão em 1999 que descobri o karaokê e o vício de cantar.
Fiz intercâmbio cultural por um ano no arquipélago quando estudei em uma escola japonesa comum. Aprendi o idioma japonês e hoje trabalho como tradutor.
O convite para cantar com o Jam Project aconteceu depois que conheci o Hironobu Kageyama no Anime Friends (2003). No ano seguinte, sem saber, ele colocou minha fita demo para competir em um concurso que elegeria um novo membro para o grupo.
Acabei ganhando o concurso e gravei duas músicas com eles. Agora sou um membro ativo da banda e já participei até das turnês japonesas de 2007 e 2008.”


OUÇA, ASSISTA J-POP !!


Programa "J-Pops!" da Rádio Nikkey (102,5 FM em São Paulo), que vai ao ar às quinta-feiras, às 23h40.
TV por assinatura POP JAM - Programa de J-Pop da NHK, onde vários artistas fazem apresentações ao vivo. Esse programa passa no Brasil pela TVA-Direct TV, as 11:30 da manhã de sábado.
MJ - Music Jump - Programa musical-adolescente da NHK onde grupos masculinos e femeninos se apresentam ao meio de jogos e brincadeiras. Esse programa passa no Brasil pela TVA-Direct TV, ao redor das 9:00 da manhã de domingo.